
No passado dia 28 de fevereiro, o Posto de Turismo dos Torreões foi pequeno para as dezenas pessoas que se juntaram a pensar uma Póvoa mais amiga de todos os animais. Partindo das intervenções de Carolina Castro, Maria Manuel Rola, Sara Miguel e Shay Gonçalves, a conversa moderada por Katya Pessoa passou por uma reflexão sobre o que há ainda a resolver no nosso município — sobretudo na necessidade urgente de um executivo municipal e de juntas de freguesia que estejam sequer dispostas a ouvir as pessoas que se preocupam com o bem-estar animal —, dando lugar a um elenco de pontos diretores para o que poderia ser uma cidade que possibilite um retorno ao convívio mais simbiótico entre pessoas e animais.
Exaltou-se a importância da informação da comunidade — até porque este momento foi uma oportunidade para esclarecer dúvidas com profissionais de saúde animal —, lembrando que é imperativo educar para o bem-estar animal desde a infância e promover a chegada às escolas de programas que o façam. Num ambiente urbano que não foi pensado para quaisquer animais, em que faltam espaços verdes e cujo crescimento erodiu a relação das pessoas com os animais, urge restabelecer esse convívio salutar pela ação informada — por exemplo, com transmissão de conhecimento sobre espécies locais e a sua preservação.
Sendo a Póvoa uma cidade com um número significativo de animais errantes — e um consequente número elevado de pessoas cuidadoras — foi com choque recebido o chumbo das propostas do Bloco de Esquerda em Assembleia Municipal, considerando-se nevrálgica a necessidade de promover estruturas para proteger quem cuida de animais errantes e possibilitar a sua articulação com a autarquia e as associações locais.
Entre os problemas urgentes mencionou-se a ineficácia da ambulância animal, a sobrecarga da figura do veterinário municipal com canis e matadouros (impedindo a sua devida atenção às colónias de animais errantes), e propôs-se a formação específica das forças policiais para a situação de pessoa cuidadora, a criação de uma bolsa de voluntários para Família de Acolhimento Temporário e a sensibilização para a vacinação e esterilização (de animais de companhia a par dos errantes) — colocando-se a tónica nos cuidados de saúde animal e a sua urgente democratização.
Agradecendo a todas as pessoas que connosco se disponibilizaram para dar voz aos seres vivos que com demasiada frequência não a têm, criou-se consenso em torno do conceito de One Health como diretor de um município que promova a interseccionalidade da saúde humana, animal e ambiental — e sobretudo a criação de uma comunidade eficientemente articulada e motivada na defesa destes valores.