CORRENTES DISCRETAS

A apenas 10 dias para o início das Correntes d’Escritas, o Bloco de Esquerda manifesta a sua profunda preocupação para com o atraso indesculpável na divulgação pública da edição deste ano do festival literário: só ontem se realizou uma conferência de apresentação (a um auditório de duas dezenas de pessoas), não existe imagem gráfica divulgada (para além da presente nos registos fotográficos da conferência), e apenas na manhã de hoje foi tornado público o programa e a lista de convidadas e convidados.

Este esforço de comunicação penosamente tardio — que configura não mais do que ausência de divulgação — é tanto mais grave quanto se trata de um dos mais relevantes festivais literários do país, com projeção nacional e internacional, construído ao longo de anos com o envolvimento de escritores, leitores, escolas e da comunidade local. A falta de divulgação compromete o acesso democrático à Cultura, afasta públicos e desvaloriza um evento que deveria ser motivo de orgulho coletivo para a cidade. Não se compreende como é possível organizar um festival desta dimensão sem uma estratégia mínima de comunicação pública, transparente e atempada.

Ademais, condenamos a falta de organização e planeamento que conduziu à não-atribuição do Prémio Literário Casino da Póvoa (no valor de 25 mil euros) após as mudanças na concessão de jogo: o executivo não acautelou esta situação e não encontrou outro parceiro, tendo optado por não atribuir a distinção mais significativa do festival.

O Bloco de Esquerda considera que a Câmara Municipal tem a responsabilidade de garantir visibilidade, informação clara e promoção adequada de um evento financiado com recursos públicos. A Cultura não pode ser tratada como um assunto secundário, nem reservada a círculos restritos ou à divulgação tardia e insuficiente — deve fazer-se com participação, acesso e compromisso público. A Póvoa de Varzim merece mais.